QUASE AURORA

FUTURO NÃO TÃO DISTANTE

Enxergo o futuro como uma casa repleta de móveis e sem luz. Andar no escuro em um lugar onde você não sabe os cantos que há um móvel, onde uma porta está ou onde começa a curva da parede não é nada fácil, nada agradável. E o futuro muitas vezes é assim. Muitas vezes ele foge do nosso controle, escapa pelos nossos dedos.

Em 2013 comecei minha graduação em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo na cidade de Montes Claros - MG. Em 2015, junto com minha família, me mudei para a capital paraibana pela segunda vez e dessa eu abracei a cidade e tinha completa certeza de que meu futuro seria maravilhoso! Mas as coisas não foram nada belas.

Por conta da documentação de transferência que demorou muito para ficar pronta e da data em que eu havia me mudado, perdi o começo do semestre e o coordenador do curso na época não deixou minha matrícula ser feita no 5º período. Como retroceder não era uma opção, o jeito foi trancar. Foram os piores meses da minha vida, academicamente falando, mas também foram os meses em que eu mais aproveitei a vida social.

foto
Depois de finalmente conseguir me matricular, veio a grade curricular que era bem diferente. Fui dispensada de algumas disciplinas, mas teria que pagar outras. Ao todo foram quatro, uma fiz no mesmo semestre, duas depois e uma só no final de 2017 porque nunca formava turma até que foi aberta por EAD. 

O curso que era pra ser terminado em dezembro de 2016 foi concluído em 2017. Por diversas vezes olhei para os meus colegas que comecei o curso e me senti inferior a eles por ficar um ano atrasada, outras vezes me senti inferior por olhar para os meus colegas de turma atuais e saber que estava me formando seis meses depois.

Foram anos, semestres muito difíceis pra mim. Quebrei a cabeça com algumas disciplinas, outras amei logo de cara, outras desisti de tentar e fui fazer prova final. Li livros obrigada, apresentei trabalhos colocando os bofes pra fora, chorei em sala, fiz meu TCC em dois meses, peguei dicas de viagem com professores, chorei na sala da coordenadora, me estressei com trabalhos em grupos, briguei com programas de edição, perdi prova, ganhei doce de professores, ultrapassei quase o dobro com horas extra-curriculares, fiz amigos e inimigos (não por vontade própria) e tentei aproveitar ao máximo! 

Foram anos intensos e que não estavam nenhum pouco como planejei. Eu tropeçava nos móveis o tempo inteiro, batia na parede sempre que achava que já conhecia o caminho e a graça desse futuro foi isso. Cada topada no dedinho mindinho, cada roxo nos braços e cada alegria por ter encontrado a porta certa.

Hoje, olho para os meus colegas de classe, os que começaram e finalizaram a jornada comigo de forma diferente. Alguns mais inteligentes que outros, alguns que já eram jornalistas, outros que seguiram novos caminhos... Não me sinto mais inferior a nenhum deles. Cada um tem sua história, cada um tem seu futuro e ninguém jamais será igual a ninguém.

Gostaria de dizer que me tornei uma pessoa menos ansiosa, que aprendeu a não criar expectativas demais e a planejar demais, mas ainda sou assim e a diferença é que agora eu sei que o futuro não é daqui a um ou dez anos, mas sim daqui a cinco minutos e amanhã também. Posso até fazer planos, mas se as coisas não acontecerem da forma que eu achei que deveriam acontecer é porque existe um motivo. Sempre existe!

Seja pela vontade de Deus ou pelas consequências do que plantei, seja pela minha habilidade ou falta dela. Ou talvez seja porque a vida me colocou em uma nova casa repleta de móveis, escadas, portas e ainda sem luz, porque depois de um tempo eu vou achar os caminhos pra cada ambiente, porque agora eu não tenho mais medo do incerto e sei que umas topadas são necessárias pra não me fazer mais desistir.

A questão é: seja daqui a cinco minutos ou daqui a cinco anos, tudo é incerto, mesmo que planejado. O mais importante não é o destino final, mas a jornada até ele. O futuro sempre será aterrorizante e desconhecido, mas aproveite cada instante! 




TRÊS FILMES PRA ASSISTIR EM DIAS TRANQUILOS

Durante meu período de afastar, resolvi colocar em dia uma pequena listinha de filmes. Todos que venho apresentar aqui praticamente são baseados em fatos reais, estão no Netflix e espero que vocês gostem (: Para assistir ao trailer, basta clicar no nome do filme.


A Outra (The Other Boleyn Girl) 
Anne (Natalie Portman) e Mary (Scarlett Johansson) são irmãs que foram convencidas pelo pai e pelo tio a aumentarem o status da família conquistando o coração do rei da Inglaterra, Henry Tudor (Eric Bana) dando a ele um filho, porém após muitos acontecimentos Ana é enviada para corte francesa e após retornar ela faz de tudo para que o rei anule seu casamento com Catarina de Aragão (Ana Torrent) e ocupe o trono. Apesar das opiniões sobre essa adaptação serem bem divididas, eu que não entendo muito sobre a história da realeza, achei boa. A fotografia e figurinos me deixaram encantada, sem falar na atuação de Natalie impecável como sempre.
Direção: Justin Chadwick Ano: 2008 Duração: 1h 55m

O filme conta a história da relação amorosa entre o renomado e famoso escritor Charles Dickens (Ralph Fiennes) e a jovem atriz Ellen Lawless Ternan, também conhecida como Nelly Ternan (Felicity Jones). Na época, ele tinha 55 anos e ela 18 e o acompanhou até que o escritor morresse. Amei a abertura do filme, a fotografia é belíssima. Felicity é dona de uma beleza delicada e encantadora, achei perfeita para o papel, sem falar nas atuações dos personagens secundários, impecáveis!
Direção: Ralph Fiennes Ano: 2013 Duração: 1h 51m


Renoir
1915. O já idoso pintor Pierre-Auguste Renoir (Michel Bouquet) é atormentado pela morte da esposa, as dores de artrite e a preocupação com o filho Jean (Vincent Rottiers) lutando na Primeira Guerra Mundial. Seus dias ganham mais vida com a chegada da jovem Andreé (Christa Theret), que se torna sua nova musa e desperta seu animo para pintar. Após o retorno de Jean para se recuperar de um ferimento, ele e a jovem se envolvem. Preciso começar dizendo em como a fotografia desse filme encanta! Claramente bem pensada para refletir o estilo de pintar do artista, com cores claras e vivas, paisagens naturais... belíssimo! Ao invés de focar no diálogo, o filme foca na estética. Tudo é muito sutil e bem contado, uma graça de se ver.
Direção: Gilles Bourdos Ano: 2012 Duração: 1h 52m

Se você já assistiu ou pretende assistir alguns dos filmes, não esqueça de deixar sua opinião nos comentários!