Quase Aurora | as bonitezas da vida: Eu, você, nós

Eu, você, nós

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Eu não gosto de falar sobre você, não porque você foi alguém ruim, muito pelo contrário; eu amei nossas conversas e poucos momentos juntos, mas eu não gosto porque não há um nós para eu contar. Somos apenas eu e você, pessoas separadas, nada mais.

Eu curto o lance das brincadeiras que meus amigos fazem. Eu gosto de rir e falar “ele não é meu namorado”, gosto de saber que você falava de mim para eles e gosto de saber pequenas informações da sua vida através deles, mesmo sabendo que eu posso perguntar e você irá responder. 

Eu estava bem. Sem conversas, sem contatos e não era algo bom ou ruim, até porque não foi um sentimento forte ou coisa do tipo, na verdade eu nem sei bem... O sentimento que ficou talvez seja de alguém especial, mas com limitações. Eu pensei, achei que você estaria lá, mas que era somente coisas da minha cabeça e quem dera eu tivesse dado ouvidos a ela... Certa, sempre certa! Eu lhe vi e poderia ter te dado um abraço, perguntado como estava, feito aquela cordialidade normal, mas preferi um “oi” e “tchau” seguido de sorriso acanhado.

Eu fiquei bem e brinquei com eles mais uma vez falando de você da forma mais natural possível e entre sorrisos lembrei do gosto que seu beijo tinha, lembrei do seu sorriso depois que eu mordi seu lábio, lembrei do seu abraço e lembrei de você só por lembrar, sem sentimento, apenas como uma lembrança boa e nada mais.

Só que os dias passam e com o passar deles, um dia, bastou um dia para que eu sentisse uma dor no peito e a vontade de escrever tudo isso viesse à tona! Ah, coração, porquê? Dizem que os melhores textos provocam dores em nós e que são como filhos, como dor de parto. Então eu surtei, senti a dor e queria não escrever, mas não escrever seria como morrer.

Eu já fiz textos para você, textos que como esse você nunca irá ler, mas nunca um foi tão fiel e inteiro como esse. Os outros continham apenas fragmentos de você, mas esse é você! Sou eu, somos nós. Esse é o que senti quando ouvi que você seria o namorado ideal, o partido que toda mãe quer como genro, o cara que tem mil e uma utilidades, que tem uma voz tão linda que ao ouvi-lo cantando fecha os olhos e viaja pra longe.

Esse é o que senti quando ouvi porque eu não quis continuar, quando ouvi que a distância não iria importar e que agora você viria para cá. Esse é você como um todo, com sua calma, mansidão, sorriso, beijos e abraços. Esse é você com seu jeito tranquilo de rapaz do interior que com uma câmera na mão vê o exterior.

Esse é você por completo e essa sou eu falando de você para quem quiser ler. Não há um nós, nunca irá existir, mas você merecia ter um texto para chamar de seu, você merecia saber que ao menos uma vez pensei nos infinitos “e se”.

E se eu tivesse continuado?

Não quero me focar no passado, quero apenas lembrar que foi bom, quero imaginar seu sorriso bobo lendo tudo que escrevi até aqui, mesmo que você não leia. Quero imaginar, quero sonhar acordada, tirar os pés do chão, quero que toque meu coração, cante qualquer canção, quero que seja algo maior do que fomos ou que na imaginação de um poeta qualquer seríamos.

Quero o texto mais louco do mundo sobre eu e você, sobre os infinitos que poderíamos ser. Não quero medos ou responsabilidades, não quero tragédias nem alegrias infinitas, quero amor de verdade que dure um verão ou que termine no inverno, quero tantas e tantas e tantas coisas que o texto fica louco e perde o nexo, mas tudo bem, eu tenho direito a licença poética.

Eu tenho direito a surtar e sonhar com você. E torço para que um dia você encontre alguém que te faça louco, que te deseje o bem, que te cuide, ame, tenha crises de ciúmes, brigue e demonstre que o amor suporta tudo isso e muito mais. Eu desejo que você tenha um amor pra recordar e fotografar.

Desejo tudo de bom a você e a mim. Todo o amor do mundo, toda paz e alegria, toda chuva e raio de sol. Desejo o infinito e além a nós, porque ainda que seja eu e você, somos nós.




* Texto feito em 2013, um dos meus favoritos. Com pequenas modificações, mas sem perder a essência. *




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