QUASE AURORA: Improviso

Improviso


Nem todos os dias são alegres e bons e isso não significa que também são tristes. São apenas vazios. E os domingos costumam começar assim. Acordo tarde, fico procrastinando - afinal, esse é realmente meu único dia de descanso e me permito acordar somente às 11h, almoçar às 15h e dormir às 23h.

Porém, esse domingo foi diferente. Dormi quase 2h - culpa da louça que tive que lavar - e às 7h15 recebi uma ligação: "Amiga, estou perto da tua casa, posso lhe visitar?". Respondi que sim e quando desliguei pensei: "Só tenho amigas doidas. Em pleno domingo ela vem me visitar às 7 da manhã!". 8h10 ela chegou. Conversamos que nem senti a hora passar. Às 10h ela se foi.

A recebi descabelada, com meu pijama de criança, a cara inchada e ainda sonolenta. Mas feliz! Feliz por receber alguém que só queria matar a saudade e jogar conversa fora. Feliz por saber que tinha uma amiga que estava fazendo caminhada na orla e resolveu passar na minha casa, mesmo que tivesse me acordado depois de uma noite curta. Feliz por saber que alguém se lembrou de mim.

E essa é a graça da vida: o improviso.

Quando você planeja fazer assim e assado e lá vem ela contrariando todos os seus planos de dormir até mais tarde. Na hora pode parecer incomodo, mas no fim ela te mostra que é melhor do que ficar na cama olhando pro teto e no fone de ouvido está tocando barulho de chuva.

Então eu lembrei algo que esqueço sempre quando os dias estão vazios: que o incerto, a surpresa, o que está fora dos planos pode ser tão maravilhoso quanto o que está na lista de coisas a fazer. E que vale super se render a esses improvisos.




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