QUASE AURORA : CARÊNCIA

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CARÊNCIA


Não sei lidar com a carência alheia e não me envergonho de dizer isso.

Nunca tive problemas de carência como alguns amigos. Nunca tive ausência de pai ou mãe, ou de algo importante que colaborasse para a construção de algum sentimento meu e talvez seja por isso que não sei lidar com esse tipo de coisa. Ou talvez seja outro motivo.

A questão é que mesmo compreendendo que algumas pessoas depositam a carência de algo em alguém, não consigo lidar com isso, principalmente quando sou o alvo, o tapa buraco. Sinto como se tivesse uma responsabilidade que não me pertence, com um peso que não devo carregar jamais e por isso, não sei como agir, como lidar e principalmente como dizer "supra sua carência em outro lugar ou com outro alguém".

Aprendi que quem supre todas as minhas necessidades e carências emocionais é Deus e assim tem sido. E por Ele ter esse posto, de fato, nunca fui carente, nunca senti essa necessidade de tampar um vazio emocional, pois Ele já estava lá em todos.

Não vou mentir e dizer que sempre fui decidida, plena ou seja lá o que for que chamem. Demorou um tempo para compreender e colocar em prática o que disse no parágrafo a cima, mas o que importa é que aprendi e hoje não me sinto assim.

Mas a outra questão é que mesmo não sendo uma pessoa cem por cento segura, nunca soube lidar com pessoas que sentem a necessidade de serem abraçadas, de ouvir "estou com saudade/ eu te amo" o tempo inteiro. Isso me sufoca e acabo me afastando.

Saudade é uma coisa que dá e passa. A falta tem um vazio e um peso muito maior.
Amor se demonstra não só com palavras, mas com atitudes, com pequenos gestos.

O pior de tudo, é que por não saber de fato o que essa carência provoca e leva o outro a supri-la com alguém, não sei como agir, não sei como não magoar, então esfrio e me afasto lentamente. Acredito que seja um pouco menos doloroso.

Conheci um cara que tinha um pai presente mas ausente e com isso ele desenvolveu uma carência paterna que era suprida em relacionamentos. Mas aquele buraco nunca era de fato preenchido, nunca era satisfatório, afinal, ele queria suprir algo com outra coisa completamente diferente. O amor paterno não se compara ao amor de uma namorada/o e jamais irá se comparar.

Mas existe um Pai que jamais abandona o filho e que se faz sempre presente e que sim, supre essa e muitas outras carências emocionais. Já vi isso acontecendo tantas vezes e é tão lindo quando alguém deposita seus sentimentos no Deus que é amigo, irmão e pai...

Se não sei lidar com as carências alheias, sei de uma coisa: que não é impossível que elas sejam supridas de forma sadia para si mesmo e para o outro.




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